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Os três sistemas de romanização

Onegaishimasu!


(^_^)


Conforme prometido, hoje apresentarei uma introdução ao Sistema Hepburn de romanização e aos Kana, elementos fundamentais para quem deseja compreender corretamente a terminologia das artes marciais japonesas.


Antes, porém, de abordar especificamente os sistemas de romanização, é importante compreender o que são Kanji, Kana e Rōmaji, bem como a relação existente entre eles.


A origem da escrita japonesa


Até aproximadamente o século V, o Japão não possuía um sistema próprio de escrita. Com a intensificação dos contatos culturais com a China e a Península Coreana, os japoneses passaram a adotar os caracteres chineses, conhecidos em japonês como Kanji (漢字).


A palavra Kanji é formada pelos seguintes ideogramas:


  •  (Kan) – China;

  •  (Ji) – caractere.


Assim, Kanji (漢字) significa literalmente "caracteres chineses".


Inicialmente, os japoneses utilizavam esses caracteres para representar tanto o significado quanto a pronúncia de sua própria língua. Um dos exemplos mais conhecidos desse período é o Man'yōgana (万葉仮名), sistema empregado na redação da coletânea poética Man'yōshū (万葉集).


Com o passar do tempo, esse sistema mostrou-se excessivamente complexo para o uso cotidiano. A partir dele surgiram dois silabários fonéticos próprios da língua japonesa:


  • Katakana (カタカナ), desenvolvido a partir de fragmentos simplificados de caracteres chineses;

  • Hiragana (ひらがな), originado da forma cursiva (sōsho) desses mesmos caracteres.


Esses dois silabários são conhecidos genericamente como Kana (仮名).


O que é um ideograma?


Um ideograma é um símbolo gráfico que representa diretamente uma ideia, conceito ou palavra, diferentemente das letras do alfabeto latino, que representam sons (fonemas).

Algumas definições ilustram esse conceito:

"Sinal que exprime diretamente uma ideia, como os algarismos, que não representam letra nem som." (Michaelis)
"Sinal gráfico que não exprime nem letra nem som, mas apenas uma ideia." (Infopédia)
"Símbolo gráfico utilizado para representar uma palavra ou conceito abstrato." (Estudamos Online)
"Sinal gráfico, símbolo não fonético, que representa um objeto ou exprime uma ideia." (Aulete)

Em outras palavras, enquanto o alfabeto latino representa sons, os Kanji representam predominantemente conceitos, embora também possuam leituras fonéticas próprias dentro da língua japonesa.


O que é um sistema de romanização?


Um Sistema de Romanização é um método padronizado de transliteração da escrita japonesa para o alfabeto romano (latino), permitindo representar em caracteres ocidentais palavras originalmente escritas em Kanji ou Kana.


Atualmente, existem três sistemas principais de romanização reconhecidos no Japão.


  1. Sistema Hepburn (ヘボン式・Hebon-shiki)


Criado pelo médico e missionário norte-americano James Curtis Hepburn (1815–1911), que chegou ao Japão em 1859 e publicou, em 1867, o primeiro grande dicionário japonês-inglês.


Posteriormente revisado, passou a ser conhecido como Shūsei Hebon-shiki ("Hepburn revisado"), tornando-se o sistema mais difundido internacionalmente e o mais utilizado em publicações acadêmicas destinadas ao público ocidental.


  1. Sistema Nippon (日本式・Nippon-shiki)


Desenvolvido por Tanakadate Aikitsu em 1885, procura representar fielmente a estrutura fonológica da língua japonesa, estabelecendo uma correspondência direta entre Kana e alfabeto romano.


Por preservar rigorosamente a estrutura da escrita japonesa, é utilizado principalmente em estudos linguísticos.


  1. Sistema Kunrei (訓令式・Kunrei-shiki)


Instituído oficialmente pelo governo japonês em 1937 e posteriormente revisado em 1954, constitui uma adaptação simplificada do Nippon-shiki.


Atualmente é o sistema oficialmente recomendado pelo Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT), embora o Sistema Hepburn continue sendo predominante em passaportes, sinalização pública, turismo e na maior parte das publicações internacionais.


Todas as palavras japonesas apresentadas neste trabalho seguem o Sistema Hepburn revisado, por ser o padrão mais amplamente aceito no meio acadêmico ocidental.


Principais características do Sistema Hepburn


Entre suas características destacam-se:


  • utilização do mácron (¯) para indicar vogais longas: ā, ē, ī, ō e ū;

  • consoantes dobradas indicam uma breve pausa antes da pronúncia;

  • ch possui som semelhante a "tch";

  • sh possui som semelhante a "x";

  • o encontro vocálico ei normalmente apresenta pronúncia próxima de "ee";

  • o kana  é romanizado como n;

  • quando esse n antecede uma vogal ou a semivogal y, utiliza-se um apóstrofo (n') para evitar ambiguidades na leitura.


Observações práticas de pronúncia


Algumas recomendações facilitam a leitura correta dos termos japoneses:


  • a letra s possui sempre som de "s", nunca de "z";

  • a letra h é aspirada, aproximando-se do som de "h" do inglês;

  • a letra r apresenta uma pronúncia intermediária entre o r e o l, produzida por um leve toque da língua;

  • o n (ん) é nasal, podendo aproximar-se dos sons de "n" ou "m", conforme a consoante seguinte;

  • em algumas palavras, especialmente de leitura on'yomi, o g inicial pode apresentar leve nasalização.


Um alerta importante


Cuidado! O Rōmaji pode ser um inimigo.


Embora extremamente útil para quem está iniciando os estudos, o Rōmaji pode induzir a interpretações equivocadas.


Isso ocorre porque a língua japonesa possui um grande número de palavras homófonas, isto é, vocábulos com a mesma pronúncia, mas escritos com Kanji diferentes e, consequentemente, com significados distintos.


Por essa razão, sempre que encontrar um termo escrito apenas em Rōmaji, procure responder à seguinte pergunta:

"Com qual ou quais Kanji essa palavra é escrita?"

Esse hábito reduz significativamente erros de tradução, interpretação e transmissão do conhecimento, permitindo compreender com muito mais precisão o verdadeiro significado dos termos utilizados nas artes marciais japonesas.


Notas:


Mácron (do grego makrós, "longo") é o sinal diacrítico (¯) utilizado para indicar vogais longas, como em ō, ū, ā, ē e ī.


No Sistema Hepburn original, o kana  era frequentemente representado pela letra ñ. Nas revisões modernas, entretanto, convencionou-se utilizar simplesmente n, forma atualmente adotada pela grande maioria das publicações especializadas.


Denis Andretta

Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

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